" Devemos ser leitores puros que leem para ler, que sabem ler e leem simplesmente. Homens que lêem uma obra só para a ver e compreender, só para a ler e acolhê-la, para alimentar-se e nutrir-se, como de um alimento precioso para crescer, para adquirir valor, interiormente, organicamente . Homens que sabem ler e sabem o que significa ler, isto é, penetrar dentro de uma obra. Muitas vezes fazer-me uma pergunta ingénua: mas o senhor lê todos os livros que lê ou cita? Ler é uma arte que se aprende com um pouco de paixão pessoal, compromisso e exercício, mas também com uma predisposição de partida, com um dote da natureza. E esta arte compreende a capacidade de percorrer o texto com inteligência, sem o pedantismo de quem segue de forma mecânica, linha por linha, sem gradações e capacidades intuitivas. Trata-se de uma arte cada vez mais abandonada nos nossos dias televisivos, confiados ao imediatismo das imagens, à superficialidade da piada, à banalidade da tagarelice. Charl...