Manuel Alegre
Manuel Alegre recebeu o Prémio Camões o mais importante da língua portuguesa. Foi proposto, junto com a escritora Agustina Bessa Luís, para o Prémio Nobel da
Literatura.
Manuel Alegre lançou em 2017 Auto de António.
Manuel Alegre de Melo Duarte nasceu em 1936, em Águeda. Licenciado pela
Faculdade de Direito na Universidade de Coimbra, onde foi um activo dirigente
estudantil. Apoiou a candidatura do General Humberto Delgado. Foi fundador do
CITAC – Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra, membro do TEUC –
Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra, campeão nacional de natação e
atleta internacional da Associação Académica de Coimbra. Dirigiu o jornal A
Briosa, foi redactor da revista Vértice e colaborador de Via Latina.
A sua tomada de posição sobre a ditadura e a guerra colonial levam o regime
de Salazar a chamá-lo para o serviço militar em 1961, sendo colocado nos
Açores, onde tenta uma ocupação da ilha de S. Miguel, com Melo Antunes.
Em 1962 é mobilizado para Angola, onde dirige uma tentativa pioneira de
revolta militar.
É preso pela PIDE em Luanda, em 1963, durante 6 meses.
Na cadeia conhece escritores angolanos como Luandino Vieira, António
Jacinto e António Cardoso. Colocado com residência fixa em Coimbra, acaba por
passar à clandestinidade e sair para o exílio em 1964.
Passa dez anos exilado em Argel, onde é dirigente da Frente Patriótica de
Libertação Nacional.
Aos microfones da emissora A Voz da Liberdade, a sua voz converte-se num
símbolo de resistência e liberdade. Entretanto, os seus dois primeiros livros,
Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967) são apreendidos pela
censura, mas passam de mão em mão em cópias clandestinas, manuscritas ou
dactilografadas.
Poemas seus, cantados, entre outros, por Zeca Afonso, Adriano Correia de
Oliveira, Manuel Freire e Luís Cília, tornam-se emblemáticos da luta pela
liberdade.
Regressa finalmente a Portugal em 2 de Maio de 1974, dias após o 25 de
Abril.
Entra no Partido Socialista onde, ao lado de Mário Soares, promove as
grandes mobilizações populares que permitem a consolidação da democracia e a
aprovação da Constituição de 1976, de cujo preâmbulo é redactor.
Deputado por Coimbra em todas as eleições desde 1975 até 2002 e por Lisboa
a partir de 2002 e até 2009, participa no I Governo Constitucional formado pelo
Partido Socialista em 1976. Dirigente histórico do PS desde 1974, foi
Vice-Presidente da Assembleia da República desde 1995 e membro eleito do
Conselho de Estado (de 1996 e 2002 e de novo em 2005). É candidato a
Secretário-geral do PS em 2004, naquele que foi o mais participado Congresso
partidário de sempre.

Em 2005 candidatou-se à Presidência da República, como independente e
apoiado por cidadãos, tendo obtido mais de 1 milhão de votos nas eleições
presidenciais de 22 de Janeiro de 2006, ficando em segundo lugar e à frente de
Mário Soares, o candidato então apoiado pelo PS.
Em 23 de Julho de 2009 despediu-se do lugar de Deputado, que ocupou durante
34 anos e que deixou por vontade própria nas legislativas de Setembro.
Foi reeleito para o Conselho de Estado em Novembro de 2009, tendo cessado
funções com a posse dos novos titulares, em abril de 2016.
É sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências, eleito
em Março de 2005.
Em Abril de 2010, a Universidade de Pádua inaugura a Cátedra Manuel Alegre,
destinada ao estudo da Língua, Literatura e Cultura Portuguesas.
Em Janeiro de 2010, Manuel Alegre anuncia a sua disponibilidade para travar
o combate das presidenciais em 2011 e em Maio de 2010 apresenta formalmente a
sua candidatura à Presidência da República.
A sua obra goza de reconhecimento nacional e internacional, tendo recebido
múltiplos e importantes prémios literários.
in http://www.manuelalegre.com