Todos Os Santos e Defuntos

José Brito, padre, bacharel em
Comunicação Social, licenciado em Filosofia e em Teologia, explica este dia de
feriado religioso no calendário.
Se cada dia tem um santo para ser celebrado, porque há um dia de Todos os
Santos?
A Igreja acredita que todos aqueles que
foram beatificados e canonizados estão junto de Deus e por isso vivem a
experiência da plena santidade. Mas a Igreja acredita que nem todos os santos
foram beatificados ou canonizados. São esses santos, que não estão nos
altares mas que cruzaram a vida de tantos de nós que celebramos neste
dia.
Desde quando se assinala esse dia e porquê
no dia 1 de novembro?
No começo da Igreja, a grande devoção dos
fiéis era dirigida aos Mártires. O que se compreende porque nesses momentos os
cristãos eram fortemente perseguidos e o exemplo dos mártires inspirava
fidelidade e perseverança. Assim, nos primeiros séculos do cristianismo, a
Igreja do Oriente dedicava um Domingo à celebração de todos os mártires.
No Ocidente, começou também a celebrar-se
a festa de todos os mártires, apóstolos e anjos. Nos começos do século VII
o Papa Bonifácio IV cristianizou o culto pagão de todos os
deuses, celebrado no Panteão de Roma, dedicando-o à Santíssima Virgem e aos
mártires. Uma vez que essa cristianização do culto pagão aconteceu a 13 de maio
de 610, esse dia foi escolhido como a primeira data em que se celebraram todos
os santos.
A celebração de todos os santos foi-se
tornando mais popular e o seu culto foi-se espalhando. Foi então composto um
ofício litúrgico próprio para celebração dos santos. Em 737, foi inserido no
cânone da missa uma celebração de Todos os Santos. O Papa Gregório IV fixou
a festa de todos os santos no dia 1 de novembro, no século IX, data que já há
algum tempo tinha sido escolhida em Inglaterra para celebrar os santos.O Papa Sisto
IV daria a esta celebração o estatuto mais importante da Liturgia
cristã passando a ser considerada uma solenidade.
Há alguma tradição tipicamente portuguesa
referente a este dia?
Sim. De acordo com a tradição, as
crianças saíam à rua e juntavam-se em pequenos grupos para pedir o ‘Pão por
Deus’ de porta em porta: recitavam versos e recebiam como oferenda pão, broas,
bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocavam dentro
dos seus sacos de pano; nalgumas aldeias chama-se a este dia o ‘Dia dos
Bolinhos’.
Porque é que o dia dos fiéis defuntos vem
logo depois do Dia de Todos os Santos?
Porque é a continuação lógica desse dia de
Todos os Santos. Depois da alegria com que se celebrou a santidade dos que
vivem a plena comunhão com Deus, a Liturgia dedica o dia seguinte à evocação da
memória dos fiéis defuntos.
O início desta tradição está ligado à
determinação dada, em 998, pelo Abade de Cluny, Santo Odilão, para
que todos os mosteiros da sua ordem evocassem a 2 de novembro todos os fiéis
defuntos. O costume foi-se generalizando e seria oficializado por Roma no
século XIV.
Há alguma ligação entre o Halloween e o
Dia de Todos os Santos?
O Halloween ou Hallowe’en constitui uma
forma abreviada da expressão escocesa Allhallow-even, ou seja, “véspera de
todos os santos”. Este termo aparece no século XVI, tendo origem numa festa
celta, o Samhain, que marcava o fim do verão, das colheitas e o começo do
Inverno. Era também a altura em que os celtas recordavam os seus antepassados.
A essa festa celta estavam também associadas comida, doces e máscaras.
A emigração de povos de origem celta para os EUA fez com que essa tradição
se enraizasse naquele país. Há por isso uma coincidência de nomes, mas a origem
e a história de cada uma das festas são distintas.
in Ponto sj